sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fósforos



Era uma vez um isqueiro. Que alguém usou, porque não sabia que esse isqueiro pertencia à pessoa a quem pertencia; pensava pertencer a uma outra pessoa. Usou para ligar o fogão, para aquecer a comida. A pessoa dona do isqueiro falou com a outra pessoa, que não era dona do isqueiro, mas que a outra pessoa pensava ser a dona do isqueiro, e disse para ela dizer à pessoa que estava a usar o isqueiro de quem era o isqueiro. E essa pessoa disse.

A outra que o usou sem querer quase teve um treco lareco quando soube de quem era, de verdade. Toma lá que é para aprenderes a não usar o que não é teu. Mesmo quando as pessoas mostram boa vontade em que se use. E se a suposta pessoa dona do isqueiro para acender o fogão para aquecer comida demostrava generosidade - isto a suposta pessoa dona do isqueiro, não a autêntica dona do isqueiro para acender o fogão para aquecer comida. Não. Essa não era uma pessoa generosa. Essa era uma pessoa a quem se oferece para a ir levar aos comboios, cedissimo na manhã, porque há greve nos comboios e não sei quê, e ela depois já quer sempre boleia. E é daquelas pessoas que está sempre a pedir favores a uma pessoa, sem ter feito nada para isso, simplesmente a aproveitar-se da boa vontade, porque a pessoa um dia tentou ser simpática.

Foi então que a que usou, por engano, o isqueiro para acender o fogão para aquecer a comida trouxe os seus fósforos para então acender o fogão para aquecer comida, com os fósforos. Meteu lá os fósforos em cima, e a do isqueiro, mesmo tendo o isqueiro, para se vingar da primeira ter usado o isqueiro para acender o fogão para aquecer a comida, usou-lhe os fósforos todos.

Como diria a suposta dona do isqueiro, para acender o fogão, para aquecer a comida, mas que afinal não era a dona do isqueiro - é a dona de tudo o resto lá em casa, mas não do isqueiro; como ia dizendo, como diria essa que afinal não era dona do isqueiro: "Puta que a pariu"!

E agora? Aceitam-se sugestões para efeitos de reposição da justiça!

Mas não se preocupe o(a) senhor(a), senhor(a) leitor(a), que a que não era dona do isqueiro, que era para acender o fogão, para aquecer a comida, e que não lhe apetecia mesmo nada ter usado o isqueiro ou qualquer outra coisa de tal ingrata criatura, mas que usou sem querer, é criativa. Muito! E costuma ser bastante original, ainda que se inspire nas parvoíces alheias para criar as suas originalidades. Portanto, senhor(a) leitor(a), não se preocupe lá, se amofine não, que estão para breve as cenas dos próximos capítulos!

1 comentário:

Nina Porcelain Lennitta disse...

Cenas dos próximos capítulos: ai fósforos é? Então toma lá mais; uma caixa novinha, inteirinha, só para veres que de mesquinha aqui, só tu!